A canela que você compra é mesmo a que está no rótulo?
Um estudo recente da Comissão Europeia trouxe um dado difícil de ignorar: mais de 66% das amostras de canela analisadas no mercado europeu apresentaram algum tipo de irregularidade. Fraude, excesso de chumbo ou níveis de cumarina acima do permitido — o problema não está isolado em um país ou marca específica, mas espalhado por boa parte do que se vende como canela fina.
O caso reacende uma pergunta simples, mas pouco feita no dia a dia da cozinha: você sabe qual canela está usando?
O que a investigação europeia encontrou
Em 2022, um levantamento da própria Comissão já havia identificado fraude generalizada em especiarias como pimenta, cominho, cúrcuma, açafrão e colorau. O alerta deveria ter reforçado os controles. Mas, ao analisar mais de cem amostras de canela vendidas em cerca de dez países da União Europeia, a maioria das amostras violava normas internacionais de qualidade ou a legislação de segurança alimentar.
Entre os problemas identificados, até 9% dos produtos rotulados como Canela do Ceilão haviam sido total ou parcialmente substituídos por Canela de Cássia, uma alternativa mais barata, de sabor mais intenso e com teor naturalmente mais alto de cumarina, substância que, em excesso, pode ser tóxica ao fígado.
Duas cascas.
Duas especiarias diferentes.
Canela de Cássia
Vem de uma casca mais espessa, enrolada em uma única camada, resultando em bastões mais escuros e resistentes. Seu sabor é mais forte e picante — características que, justamente por serem mais marcantes, tornam a substituição difícil de perceber a olho nu. Em contrapartida, concentra naturalmente mais cumarina, o que exige atenção ao consumo em maior quantidade.
Canela do Ceilão
É obtida a partir de camadas finas da casca interna da árvore, enroladas em múltiplas voltas até formar bastões quebradiços e claros. Seu sabor é mais suave, adocicado e complexo, e seu teor de cumarina é baixo, o que a torna segura para consumo mais frequente.
Apesar do nome em comum, Ceilão e Cássia não são a mesma especiaria, e a diferença vai muito além do preço.
Por que isso importa na hora de temperar
A diferença entre as duas não é apenas sensorial. Como a Cássia é mais barata e mais fácil de escalar na produção, ela acaba sendo comercializada, muitas vezes sem transparência, no lugar do Ceilão, especialmente em produtos moídos, onde a origem é mais difícil de verificar visualmente.
Saber a procedência e a espécie exata da canela que se compra deixou de ser um detalhe técnico para se tornar uma questão de segurança alimentar. Na Spice Forest, essa rastreabilidade é parte do processo, porque tempero de verdade começa antes de chegar ao pote.
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